A CAIXA Cultural abre o ciclo de palestras “Meu Japão Brasileiro”, que aborda a trajetória da cultura japonesa no Brasil. Especialistas em várias manifestações culturais discutirão a relação nipo-brasileira na culinária, na moda e nas artes.
O evento “Meu Japão Brasileiro” leva ao público algumas das experiências mais importantes, nascidas do encontro de brasileiros e japoneses, visto que de 1908 até 2008, nosso país passou a abrigar a maior população nikkei fora do Japão.
O ciclo de palestras visa escapar dos estereótipos, dando voz aos pesquisadores que se propuseram a conhecer a cultura japonesa em suas diversas formas de modo a transformar a vida, as convicções e os modos de ver o “outro”.
Para apresentar os diferentes pontos de vista, serão realizadas doze palestras que tratam da multiplicidade da cultura japonesa ao mostrar detalhes variados e emocionantes de intricadas experiências culturais referentes a elementos nipônicos arcaicos, modernos, coletivos, históricos e absolutamente íntimos e pessoais. Os temas transitam por linguagens e meios de comunicação diversos como o cinema, a televisão, o teatro, a dança, as gravuras, a caligrafia, a religião e assim por diante. A curadoria é de Christine Greiner e a produção da Clauss Carvalho Produções e Eventos.
PROGRAMAÇÃO:
Março 2008
Os Filhos do Átomo
Dia 05
Palestrante: Marcos Reigota
Resumo da palestra: A cultura nipo-brasileira vivenciada nos anos 1960 e 1970 em Promissão e Tupã, será enfocada na constituição de uma Bio:Grafia ecologista na qual o lançamento das bombas sobre Hiroshima e Nagasaki é um dos principais pontos de partida.
Dia 19
Palestrante: Mauricio Kinoshita
Resumo da palestra: Hibakusha-Herdeiros Atômicos no Brasil (2006, 15 minutos) é um documentário que retrata a presença no Brasil de cidadãos japoneses que vivenciaram os bombardeios atômicos ao Japão na Segunda Guerra Mundial. Poder assistir ao documentário é ter diante dos olhos o horror, a solidariedade, a morte e a vida que permeiam uma situação tão extrema.
Abril 2008
O Corpo da Arte
Dia 02
Palestrante: Darci Kusano
Resumo da palestra: A apresentação do teatro japonês no Brasil engendrou novas possibilidades de entendimento cênico, tanto no que se refere ao treinamento dos atores como ao uso de elementos cênicos e dramaturgia. Tanto os teatros clássicos como o nô, o kabuki e o bunraku, como as experiências do pós-guerra foram reveladoras para muitos artistas brasileiros.
Dia 16
Palestrante: Madalena Hashimoto
Resumo da palestra: Shunga é um modelo de ilustração e de gravuras japonesas que exprime cenas eróticas e pornográficas. Os limites entre o erótico e o pornográfico, assim como do aceitável e do condenável na Shunga são estabelecidos entre as diferenças culturais de cada país. São estas diferenças culturais que fazem com que no Brasil e no Japão, a Shunga tenha recepções e compreensões muito opostas.
Dia 30
Palestrante: Cecília Saito
Resumo da palestra: O Shodô é a arte da caligrafia japonesa que atravessou mais de três mil anos de história para sobreviver no século XXI através de centenas de milhares de pessoas no Japão e em outros países orientais e ocidentais. A prática do Shodô no Brasil é uma combinação de tradição e de inovação.
Maio 2008
O Cinema Japonês no Brasil
Dia 14
Palestrante: Lucia Nagib
Resumo da palestra: O cinema japonês é um dos mais ricos e férteis, sua divulgação e fruição acompanham diferentes décadas, tendências e diversificações. Dos filmes de arte aos animês, a produção audiovisual japonesa se confunde com as memórias das comunidades nipo-brasileiras assim como a sua introdução e influência no cinema brasileiro.
Dia 28
Palestrante: Marcela Canizo
Resumo da palestra: Luz e sombras. Entre a luz estourada do Cinema Novo e a luz obscurecida do cinema japonês clássico, apresentam-se duas estéticas cinematográficas distintas que respondem a características básicas da cultura brasileira e da cultura japonesa. Ao se expor tais práticas pode-se descobrir motivações, detalhes e distinções de duas escolas de cinema.
Junho 2008
Desconstruções Culturais
Dia 11
Palestrante: Mirian Ou
Resumo da palestra: Primavera (2007, 15 minutos) é um curta-metragem que narra a história de um garoto se vê obrigado a acompanhar os pais numa visita a um cemitério japonês, onde está o túmulo de sua avó. Lá ele terá que lidar com seus medos, e contará com a ajuda de uma misteriosa garota. Exemplo raro dentro da cinematografia brasileira, o curta é um dos poucos filmes nacionais que discute a identidade nipo-brasileira dos descendentes brasileiros.
Dia 25
Palestrante: Christine Greiner curadoria
Resumo da palestra: A dança é uma das mais ricas manifestações da cultura japonesa. A sua descoberta e transmissão no Brasil corresponde a uma história de trocas e contatos culturais muito delicada e complexa.
Julho 2008
Vários Japões
Dia 02
Palestrante: Almir Almas
Resumo da palestra: O imaginário brasileiro sobre o Japão é um objeto utilizado e transformado por muitos que se dedicam às variedades da produção artística brasileira. Com este ponto de partida, Almir Almas irá mostras uma seqüência de vídeos que procuram usar, mostrar e reinventar diferentes possibilidades de combinações entre a cultura brasileira e a cultura japonesa.
Sobre os palestrantes:
—Almir Almas é Doutor em Comunicação e Semiótica, professor da ECA-USP e autor da dissertação de mestrado Videohaiku (2000) e da tese de doutorado Televisão Digital Terrestre: Sistemas, Padrões e Modelos (2005).
—Cecília Saito é artista plástica, Doutora em Comunicação e Semiótica, pesquisadora do Centro de Estudos Orientais da PUC-SP e autora do livro O Shodô, o Corpo e os Novos Processos de Significação (2004).
—Christine Greiner é professora do Departamento de Linguagens Corporais e do Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da PUC-SP e coordenadora do Centro de Estudos Orientais da PUC-SP, é pós-doutora pela Universidade de Tóquio e pelo Centro Nichibunken de Kyoto, e autora dos livros Butô: Pensamento em Evolução (1998) e Teatro Nô e o Ocidente (2000).
—Darci Kusano é Doutora em Artes Cênicas e autora dos livros O que é Teatro Nô (1988), Os Teatros Bunraku e Kabuki: Uma Visada Barroca (1993) e Yukio Mishima: O Homem de Teatro e de Cinema (2006).
—José Carlos Lage é cineasta.
—Lucia Nagib é professora titular de cinema mundial na Universidade de Leeds (Inglaterra) e autora dos livros Em torno da Nouvelle Vaque Japonesa (1993) e Nascido das Cinzas: Autor e Sujeito nos Filmes de Oshima (1995).
—Madalena Hashimoto é pesquisadora e vice-diretora do Centro de Estudos Japoneses da USP, docente da Faculdade de Filosofia, Letras & Ciências Humanas da USP, e autora do livro Pintura e Escritura do Mundo Flutuante: Hishikawa Moronobu e ukiyo-e Ihara Saikaku e ukiyo-zôshi (2002).
—Marcela Canizo é graduada em Artes pela Universidade de Buenos Aires, graduada em Cinematografia pelo Instituto Nacional de Cinematografia (Argentina), Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e autora da dissertação de mestrado Orientalismos no Cinema (2006).
—Marcos Reigota é Mestre em Filosofia da Educação (PUC-SP), Doutor em Educação pela Universidade Católica de Louvain (Bélgica), Pós-Doutor pela Universidade de Genebra (Suíça), realizou estágios de pesquisa na Josai International University (Japão) e na Sophia University (Japão), e autor de uma longa pesquisa, ainda não publicada, sobre os bombardeios a Hiroshima e Nagasaki.
—Mauricio Kinoshita é cineasta.
—Mii Saki Tanaka é jornalista, atriz, Mestra em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, Mestra em jornalismo pela Universidade de Sophia (Japão), professora universitária e autora da dissertação de mestrado Sem Medo de Ser Espetáculo-Caso NHK: O Jeito Japonês de se Fazer uma TV Pública (2000).
—Mirian Ou é cineasta, roteirista e produtora de curtas-metragens e documentários como Quando Tudo Formiga (2004), Tori (2006), Liberdade (2007) e Primavera (2007).
CAIXA Cultural. Praça da Sé, 111. Tel: (11) 3321-4400. De 13 de fevereiro a 2 de julho, às quartas-feiras, das 19h ás 21h. Grátis. 70 lugares.
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